
Biológicos no manejo da palhada avançam como estratégia de produtividade no campo
junho 9, 2026Baixo Vale do Rio Pardo soma 9,4 mil toneladas de laranja e bergamota. volume e qualidade das frutas chamam atenção
Com a proximidade do inverno, bergamotas e laranjas voltam a se destacar nas propriedades rurais, feiras e mesas dos consumidores do Baixo Vale do Rio Pardo. A colheita dos citros está em andamento na região, que projeta uma produção de 9.434 toneladas das duas frutas, distribuídas em 983 hectares.
Conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a laranja responde pela maior parte desse volume, com 6.482 toneladas em 645 hectares, enquanto a bergamota soma 2.952 toneladas em 338 hectares.
A citricultura está presente em municípios de toda a região, com destaque para Venâncio Aires, que concentra os maiores volumes de colheita de ambas as variedades, o que também ajuda a fomentar os negócios. Além da relevância econômica, as frutas mantêm forte presença na agricultura familiar, sendo cultivadas por produtores que abastecem feiras e mercados do município.
Para o extensionista rural e assistente técnico da Regional da Emater/RS-Ascar de Soledade, Vivairo Zago, a safra atual é considerada dentro da normalidade. Segundo ele, embora os resultados não repitam os números expressivos de ciclos anteriores, desta vez a produção apresenta uma boa qualidade. “Não é uma safra excepcional como a do ano passado, mas também não é ruim”, avalia.
Conforme Zago, as condições climáticas têm favorecido a maturação. “O tempo um pouco mais úmido, mas sem excesso de chuva, beneficia a cor, o sabor e o teor de açúcar. Os frutos estão com boa qualidade.”

Cultivo faz parte da tradição no interior
Além da importância econômica, os citros mantêm forte presença na cultura alimentar da região. De acordo com Zago, praticamente todas as propriedades rurais da área analisada possuem plantações de laranja ou bergamota.
“São frutas muito populares. Praticamente todas as propriedades dispõem de laranja e bergamota para
consumo da família. Mesmo na cidade, muitas pessoas têm um pé de bergamota ou de laranja no pátio”, ressaltou.
Outro diferencial está na possibilidade de produção durante praticamente todo o ano. Com o cultivo de diferentes variedades, os produtores conseguem escalonar a colheita entre o final do verão e o começo do verão seguinte. “Há variedades de bergamota e de laranja que permitem abastecimento contínuo por vários meses”, explicou o extensionista.
Além do consumo in natura, as frutas são amplamente utilizadas para produção de sucos e seguem entre os alimentos mais procurados pelos consumidores durante os meses mais frios. Isso reforça a importância da citricultura para a agricultura familiar.
Mais quantidade em algumas propriedades
Na Feira Central de Santa Cruz do Sul, produtores falam de uma safra mais carregada em comparação aos últimos anos. É o caso de Laércio André Frantz, agricultor de Linha General Osório, em Monte Alverne, que cultiva principalmente bergamota comum. Segundo ele, os pés produziram mais frutos neste ciclo, embora o tamanho tenha diminuído em razão da elevada carga produtiva.
“Essa safra é bem maior que a do ano passado. Os pés estão muito cheios e, quando isso acontece, a fruta fica menor. Ela está saborosa, mas muitos clientes procuram frutos maiores”, explica. Frantz também destaca que o frio nos últimos meses contribuiu para a qualidade da produção. “Para nós, é importante quando faz bastante frio. Isso ajuda no controle da mosca-da-fruta e melhora a qualidade dos frutos.”

Situação semelhante é relatada por Henrique Marcos Farsen, de Linha Santa Cruz. Para ele, a atual temporada apresenta uma das melhores cargas produtivas dos últimos anos. “Tem bastante quantidade. Os pés estão bem mais carregados que nos anos anteriores. Nos últimos cinco anos, acho que é um dos melhores anos em quantidade de frutos”, afirmou.
Fotos: Rodrigo Assmann




