
De destaque na Bahia a reconhecimento nacional: Oilema entra pela primeira vez entre as melhores empresas de médio porte para trabalhar no agro
setembro 9, 2026A Federarroz espera reunir cerca de 25 mil visitantes na 37ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz e Grãos em Terras Baixas, que será realizada de 16 a 18 de fevereiro de 2027, na Estação Terras Baixas Clima Temperado, em Capão do Leão,(RS). O lançamento oficial do evento ocorreu nesta terça-feira (1º), no auditório do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio, durante a 49ª Expointer, que vai até domingo (6).
Ao apresentar as expectativas para a próxima edição, o presidente da Federarroz, Denis Dias Nunes, destacou a importância do evento como espaço de atualização e troca de informações entre produtores, pesquisadores, empresas e demais integrantes da cadeia produtiva.
Segundo ele, o objetivo é ampliar a participação do público para fortalecer o acesso dos produtores a informações sobre novas tecnologias, mercado e gestão das propriedades. “Isso é muito importante para os produtores, ter essa troca de informação, sair de suas propriedades para que consigam entender o que está acontecendo nas novas tecnologias e no mercado e voltem para casa com maior robustez de informações para tocar os seus negócios”, afirmou.Entre os principais temas que deverão estar presentes na programação da 37ª Abertura está a necessidade de garantir rentabilidade à atividade orizícola. O dirigente ressaltou que o produtor precisa acompanhar não apenas o comportamento dos preços, mas também os estoques e as condições de mercado antes de definir os investimentos para a próxima safra.
Para Nunes, a produção precisa estar alinhada à capacidade de absorção do mercado. Ele observou que o setor ainda enfrenta estoques elevados de passagem e defendeu cautela diante de uma eventual recuperação das cotações. “Nós esperamos que o preço seja remunerador”, disse. Ao mesmo tempo, alertou que o cenário não permite euforia. “Não podemos ter euforia porque os estoques de passagem ainda são altos.”, alertou.
O presidente da Federarroz destacou ainda que muitos produtores terão compromissos financeiros significativos no próximo ano, mesmo diante de eventuais medidas de renegociação de dívidas. Por isso, segundo ele, a expectativa é de uma correção positiva do mercado, mas com atenção aos riscos envolvidos na tomada de decisões.
A questão financeira também deverá ocupar espaço importante nas discussões da próxima edição do evento. Nunes afirmou que o elevado custo do dinheiro reduz a capacidade de investimento e pode comprometer a rentabilidade das empresas rurais. “Quando o dinheiro está custando muito alto, não temos capacidade de investimento”, afirmou.
Para o dirigente, a entidade tem papel importante na orientação dos produtores sobre gestão financeira. Nunes defendeu que o setor avance na educação financeira para que os agricultores possam avaliar melhor custos, investimentos e riscos antes de cada safra. “Essa parte financeira cada vez mais nós temos que orientar e temos que educar os produtores”, enfatizou.
O presidente da Federarroz reforçou a ideia de conquista de novos mercados internacionais para o arroz brasileiro. Segundo ele, o aumento das vendas externas pode contribuir para gerar mais riqueza e fortalecer toda a cadeia produtiva. “É preciso exportar mais, conquistar novos mercados”, afirmou.
Nunes ponderou, porém, que o desempenho das exportações também dependerá das condições do mercado internacional e do comportamento da produção no Hemisfério Norte.
A união entre instituições e produtores para enfrentar os desafios da cadeia orizícola foi destacada pelo chefe-Geral da Embrapa Clima Temperado, Leonardo Ferreira Dutra. Segundo ele, a próxima edição marcará a continuidade da parceria entre Embrapa, Federarroz e Senar, com a perspectiva de formalização de um acordo de cooperação técnica para garantir a realização do evento na Estação Experimental Terras Baixas (ETB) pelos próximos dez anos. “Isso nos dá previsibilidade e tranquilidade para podermos fazer as programações. A cada ano, o evento recebe mais participantes e expositores, e isso tem sido significativo”, afirmou.
Dutra também ressaltou que a pesquisa busca oferecer respostas aos impactos das mudanças climáticas e à necessidade de reduzir custos de produção. Entre as prioridades estão o desenvolvimento de cultivares resistentes à brusone e a disponibilização de bioinsumos.
O superintendente do Senar-RS, Eduardo Condorelli, destacou o protagonismo da orizicultura gaúcha. Segundo ele, o setor é referência para toda a agricultura do Estado pela capacidade de inovação, trabalho e persistência dos produtores. “É sempre importante que nós possamos ter a orizicultura como destaque na nossa sociedade, porque ela é um dos faróis para toda a agricultura que é feita no Rio Grande do Sul”, afirmou.
Condorelli também chamou a atenção para a crescente complexidade da atividade rural e para a necessidade de ampliar o conhecimento e a capacidade de análise dos produtores diante dos desafios econômicos. “Se a agricultura e a pecuária deste país no século passado foram feitas com muita coragem, muita força física e até uma pitada de inconsequência, hoje, além de muitíssimo mais coragem, alguma pitada de inconsequência e um pouco menos de força física, ela precisa de muito mais inteligência”, concluiu.
Foto: Nestor Tipa Júnior/AgroEffective
Texto: Artur Chagas/AgroEffective
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