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junho 11, 2026Com o esgotamento das cotas de exportação do acordo entre UE e Mercosul, sindicato propõe abertura de novos mercados e programas de apoio
O Brasil perdeu o acesso à cota anual de preferência tarifária de 6.667 toneladas de arroz prevista no acordo entre Mercosul e União Europeia, após o limite ter sido esgotado pela Argentina e Uruguai, reduzindo o espaço do grão brasileiro no mercado europeu. Para o Sindicato das Indústrias de Arroz de Santa Catarina (SindArroz-SC), a medida representa a perda de uma oportunidade de ampliar as exportações de Santa Catarina para um mercado que remunera melhor produtos de qualidade, além de comprometer a competitividade do arroz catarinense e restringir a diversificação de destinos de exportação.
Diante desse cenário e por considerar que o arroz produzido no Brasil possui qualidade elevada devido à certificação e controle contínuo de órgãos como o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o SindArroz-SC defende a abertura de novos mercados e a implementação de programas de incentivo à exportação como medidas para escoar o produto já armazenado, fortalecer as vendas externas e aliviar os efeitos da crise econômica que tem afetado o setor desde a safra de 2024.
Conforme dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, em abril de 2026, o Brasil exportou quase 79 mil toneladas de arroz, o que, segundo o presidente do SindArroz-SC, Walmir Rampinelli, está abaixo do necessário para escoar o excedente do cereal e equilibrar os preços do mercado interno, sendo necessário exportar ao menos 1,5 milhão de toneladas para alcançar esse equilíbrio. “Mesmo que a produção mundial de arroz tenha sido elevada, sempre haverá espaço para o grão brasileiro em função da alta qualidade e dos métodos rígidos de inspeção adotados pelos órgãos nacionais”, explica.
Desafios e busca por soluções
Dentre os desafios destacados pelo SindArroz-SC em relação à exportação, está o Tratado de Assunção, oficializado em 1991 pelo Mercosul e que possibilita a importação do arroz com isenção de taxas. Na perspectiva do Sindicato o acordo precisa ser revisto, uma vez que à época o Paraguai não era um país produtor de arroz e, hoje, se consolida como um. “O Paraguai é, sem dúvidas, um dos nossos maiores concorrentes, principalmente porque a carga tributária e o custo de produção deles é muito baixo em relação ao nosso. Esse fator possibilita que os produtores vendam as sacas de arroz por um preço mais atrativo e isso incentiva os países compradores a substituir a matriz brasileira pela do Paraguai”, expõe Rampinelli.
Além disso, as operações internas do país utilizam como moeda o Real, enquanto a importação e a exportação são feitas em dólar, transformando a volatilidade do câmbio em mais um desafio. Neste cenário, o SindArroz-SC defende que programas federais de incentivo à exportação seriam a principal alternativa estrutural para escoar o excedente da produção orizícola e recuperar os preços internos, principalmente após a perda das cotas de exportação do acordo entre União Europeia e Mercosul.
“O Governo Federal pode contribuir para o fortalecimento das exportações de arroz por meio da abertura de novos mercados, fortalecendo ações de ampliação e melhor distribuição de cotas em acordos comerciais, da redução dos custos logísticos e portuários e da simplificação dos processos de exportação”, completa o presidente.
Sobre o SindArroz-SC
Fundado no ano de 1975, o Sindicato das Indústrias do Arroz de Santa Catarina (SindArroz-SC) atua como representante das empresas cerealistas do estado. Com 27 indústrias associadas, a entidade tem como um dos principais objetivos conquistar melhorias para toda a cadeia produtiva do alimento, bem como servir como ponte para beneficiadoras do grão. A rizicultura catarinense é responsável por 15% do abastecimento nacional e gera milhares de empregos no solo catarinense, além de em outras regiões do país.
Texto/Foto: Shaiane Corrêa




