Embrapa e Fundação Bahia colocam no mercado três novas cultivares transgênicas de algodão com alto rendimento e qualidade superior de fibra

Alta produtividade, estabilidade de produção e fibra de qualidade superior à das cultivares disponíveis no mercado, além da resistência às principais lagartas que atacam o algodoeiro e ao herbicida glifosato. Essas são algumas das características das três novas cultivares de algodão que a Embrapa e a Fundação Bahia disponibilizam aos cotonicultores. O lançamento das variedades BRS 430 B2RF, BRS 432 B2RF e BRS 433 FL B2RF aconteceu durante o Bahia Farm Show de 2017, em Luís Eduardo Magalhães, na região Oeste baiana. O evento de apresentação das cultivares a produtores, técnicos e parceiros foi realizado em paralelo à feira, na sede da Fundação Bahia, no dia 31 de maio.

As novas cultivares de algodão têm a tecnologia Bollgard II Roundup Ready Flex (B2RF, da Monsanto), que conferem a resistência ao glifosato e a lagartas. “A três possuem transgenia para resistência a lagartas, com dois genes Bt (Bacillus thuringiensis), o que reduz a necessidade de uso de inseticidas para o controle de lagartas”, afirma o pesquisador Camilo Morello, líder do programa de melhoramento genético do algodoeiro na Embrapa. “Além disso, possuem resistência ao herbicida glifosato, permitindo a pulverização com glifosato para controle de plantas daninhas, sem a necessidade de utilização de herbicidas não seletivos em jato dirigido.”

As cultivares BRS 432 B2RF e BRS 430 B2RF destacam-se pelo elevado potencial produtivo. A produtividade média é superior a 4.500 quilos (300 arrobas) de algodão em caroço por hectare e a produtividade máxima pode ultrapassar 6 mil quilos (400 arrobas) de algodão em caroço por hectare. Ambas são indicadas para os cerrados da Bahia e dos demais estados do Matopiba, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás, sendo a BRS 432 B2RF posicionada para a abertura do plantio e a BRS 430 B2RF para o meio e o fechamento do plantio em primeira safra ou para segunda safra no cerrado do Centro-Oeste (safrinha). O rendimento de fibra da BRS 432 B2RF é de 42% e o da BRS 430 B2RF é de 40%.

“Com as cultivares BRS B2RF, combinamos know-how em melhoramento genético adaptado ao ambiente tropical com biotecnologia de ponta para oferecer aos cotonicultores brasileiros alta produtividade, estabilidade de produção, fibra de qualidade superior e resistência às doenças, além da resistência às principais lagartas e ao herbicida glifosato” sintetiza Morello.

FIBRA LONGA
A BRS 433 FL B2RF é a primeira cultivar de algodão transgênico de fibra longa do Brasil. Possui comprimento de fibra superior a 32,5 milímetros e elevada resistência (acima de 34 gf/tex), características consideradas ideais pela indústria têxtil para a fabricação de tecidos finos, roupas de luxo e linhas de costura. O comprimento médio das fibras atualmente disponíveis no mercado é de cerca de 30 milímetros.
A cultivar tem porte médio e ciclo longo. Portanto, é indicada para a abertura do plantio nos cerrados da Bahia e dos demais estados da região denominada Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), além de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás. Também é recomendada para o cultivo em condições irrigadas do semiárido do Nordeste. O potencial produtivo é superior a 4.500 quilos (300 arrobas) de algodão em caroço por hectare e rendimento de fibra de 38%.
“O algodão de fibra longa representa cerca de 3% da produção mundial. Hoje, o Brasil não produz algodão com esta qualidade de fibra e, por isso, essa nova cultivar representa oportunidade para o País se tornar produtor”, avalia o chefe de Transferência de Tecnologia da Embrapa Algodão, pesquisador João Henrique Zonta. “A maior parte da fibra de qualidade superior é importada de países como Egito, Estados Unidos e Peru”.
O pesquisador orienta que em lavouras de algodão geneticamente modificado para resistência a insetos (Bt) é recomendado cultivar 20% da área com cultivares não Bt, caso das BRS RF, também desenvolvidas pela Embrapa e pela Fundação Bahia. “Essa área é chamada de refúgio e tem por objetivo evitar o aparecimento de insetos resistentes e, consequentemente, a perda da tecnologia”, explica Zonta.

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