
Safra 26/27 de arroz tem expectativa positiva, mas questões climáticas podem afetar produtividade em SC
agosto 11, 2026A trajetória de uma mulher que transformou o café em profissão, inspiração e arte ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira (13), em Vitória da Conquista. A artista plástica, cafeicultora e empresária Valéria Vidigal da Cruz Brito recebeu da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) a Comenda 2 de Julho, uma das principais honrarias concedidas pelo Parlamento baiano.
A homenagem foi oficializada pela Resolução nº 2.287/2025, em projeto de autoria do deputado estadual Fabrício Falcão. Conforme registrado no diploma entregue a Valéria, a honraria é concedida pelas suas “relevantes contribuições no âmbito político e administrativo ao Estado da Bahia”.
Mais do que reconhecer uma carreira construída ao longo de décadas, a Comenda 2 de Julho simboliza o reconhecimento público de uma trajetória que se conecta com diferentes áreas da sociedade baiana — da cultura e das artes ao agronegócio, ao empreendedorismo e à valorização da cafeicultura.
Uma história construída entre a arte e o café
Natural de Viçosa, em Minas Gerais, Valéria chegou a Vitória da Conquista, na Bahia, em 1992. Desde muito jovem, a arte já fazia parte de sua vida. Começou a pintar aos 11 anos e, ao longo dos anos, transformou o talento em profissão.
Sua história também foi profundamente influenciada pelo café. Filha do pesquisador João da Cruz Filho, ligado à Universidade Federal de Viçosa, e da artista plástica Maria Auxiliadora Vidigal da Cruz, Valéria cresceu próxima tanto do universo da pesquisa e da cafeicultura quanto da pintura.
Em 2003, decidiu direcionar sua produção artística exclusivamente para a temática do café. Desde então, suas telas passaram a retratar o cotidiano da atividade cafeeira, os trabalhadores, as paisagens, a colheita e diferentes momentos da cadeia produtiva.
O resultado foi uma trajetória artística singular. Valéria já produziu mais de mil obras relacionadas ao café e realizou exposições no Brasil e no exterior. Suas pinturas também passaram a ilustrar livros, anuários, publicações técnicas e obras dedicadas à história e à cultura do café brasileiro.
Este mês, Valéria Vidigal participa da exposição comemorativa ao centenário de falecimento do Presidente JK no memorial do TJDFT em Brasília com a obra intitulada JK, uma homenagem ao médico e ex- Presidente do Brasil Juscelino Kubitschek.
A relação entre arte e cafeicultura também está presente em sua atuação como produtora. Ao lado do marido, Gianno de Oliveira Brito, Valéria participa da administração de propriedades rurais, entre elas a Fazenda Vidigal, em Barra do Choça, onde a produção de café se encontra com manifestações culturais, arte e turismo rural.
Uma trajetória que ultrapassou as telas
Ao longo dos anos, Valéria ampliou sua atuação para além da pintura. Em 2007, idealizou e passou a organizar o Encontro Nacional do Café, iniciativa que reúne produtores, pesquisadores, empresas, profissionais e diferentes representantes da cadeia cafeeira. O evento chegou à Fazenda Vidigal, fortalecendo a conexão entre cafeicultura, conhecimento, cultura e turismo.
A atuação de Valéria também foi reconhecida anteriormente em diferentes momentos. Entre as homenagens estão o Título de Cidadã Conquistense, recebido em 2013, o Título de Cidadã Baiana, concedido pela Assembleia Legislativa em 2017, em 2020 recebeu o Diploma Mulher Cidadã Loreta Valadares concedido pela Câmara Municipal de Vitória da Conquista, em 2022 recebeu a Medalha Mérito Cultural Glauber Rocha, e em 2023 recebeu a homenagem da CECAFÉ pela sua contribuição ao registo histórico e à promoção Internacional da cafeicultura brasileira, retratando, através da sua arte, todos os aspectos humanos e sustentáveis da atividade.
Seu trabalho artístico também alcançou reconhecimento internacional, com premiações e exposições em países como os Emirados Árabes Unidos, além de participações em importantes iniciativas ligadas ao café.
A relevância de sua atuação na cafeicultura foi destacada pelo próprio deputado Fabrício Falcão na justificativa da Comenda. Ao propor a homenagem, o parlamentar ressaltou a contribuição de Valéria para as artes, o empreendedorismo cultural e a valorização da produção cafeeira regional, além de sua participação na realização do Encontro Nacional do Café.

Comenda 2 de Julho: reconhecimento à contribuição para a Bahia
A entrega da Comenda 2 de Julho representa, portanto, um reconhecimento que vai além de uma carreira artística. A honraria coloca em evidência uma atuação construída ao longo de décadas e que ajudou a aproximar a cultura, a arte e o agronegócio baiano.
O próprio histórico da ALBA trata a Comenda 2 de Julho como uma honraria destinada a personalidades que prestaram contribuições relevantes ao Estado.
No caso de Valéria, esse reconhecimento ganha um significado especial por sua capacidade de transformar uma atividade econômica em elemento de identidade cultural. Em suas mãos, o café deixou de ser apenas produto agrícola e passou a ser também tema de pinturas, livros, exposições, encontros e projetos que ajudam a contar a história de quem vive da cultura cafeeira.
Ao receber a Comenda em Vitória da Conquista, Valéria Vidigal vê sua trajetória ser reconhecida oficialmente pelo Legislativo baiano. Uma história iniciada na arte, fortalecida pelo café e ampliada por décadas de trabalho, empreendedorismo e dedicação à cultura e à Bahia.
A homenagem marca mais um capítulo de uma caminhada que encontrou no café sua principal inspiração, e que agora também passa a fazer parte da história de personalidades reconhecidas pela Assembleia Legislativa da Bahia.




