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março 5, 2026
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março 5, 2026Evento debateu vários temas de interesse do setor no Rio Grande do Sul, principal produtor, onde a área de
cultivo foi reduzida nesta safra.
A colheita de arroz da safra 2025/2026 teve programação oficial de abertura no Rio Grande do Sul (principal
produtor nacional, com 70% do total), entre 24 e 26 de fevereiro/26, junto à Estação Experimental Terras Baixas da
Embrapa Clima Temperado, em Capão do Leão. Á área cultivada nesta safra foi reduzida em 8,06% no Estado,
como já anunciou durante o mês o Instituto Rio-Grandense do Arroz (Irga), patrocinador do evento organizado pela
Federarroz (Federação da Associação dos Arrozeiros) com apoio de mais entidades (Embrapa e Senar-RS),
devendo ficar em 891,9 mil hectares ante 970,2 mil hectares no ano anterior.
A redução, segundo o presidente da autarquia, Alexandre Velho, produtor e ex-presidente da Federarroz, “reflete
o cenário desafiador enfrentado pelos produtores em 2025, marcado por dificuldades no acesso ao crédito e pelos
elevados custos de produção do cereal”. No início dos dos trabalhos de abertura da colheita, e em eventos
técnicos do Irga, salientou a relevância de equilíbrio entre oferta e demanda, de ampliar o consumo e as
possibilidades de mercado, como o etanol, além de diversificar produção, elevando produtividade e reduzindo
custos, como prevê o programa de manejo e sistema RS14 desenvolvido pelo instituto.
A campanha de incentivo ao consumo, já promovida pelo Irga e Governo do Estado, deverá ser intensificada em
2026, como informou o novo dirigente do Irga, em painel no dia 25, pela manhã, ao lado do publicitário Ricardo
Gomes. A iniciativa usa o mote “Arroz – Energia que une o Brasil”, buscando reconectar os consumidores com o
cereal que é um símbolo nacional, mas perdeu espaço com novos hábitos alimentares e divulgação de
informações equivocadas.
As potencialidades do comércio internacional do arroz também foram enfocadas nesta ocasião, por meio de
especialista uruguaia, Yamila Saiz, que vê um mercado com crescimento moderado e desafios de competitividade
além do custo, envolvendo tarifas, cotas e acordos. Avaliou peculiaridades e oportunidades dos mercados dos
Estados Unidos, México (“estratégico”) e União Europeia, e ressaltou que o setor tem força no Mercosul, com
capacidade produtiva enorme, estrutura industrial e logística, mas que é importante “segmentar e diferenciar por
qualidade e variedade adequadas ao mercado de destino”.
Os mais diversos assuntos relacionados ao tema central desta edição (a 36a) – “Cenário e perspectivas:
conectando o campo ao mercado”, foram abordados nos três dias da Abertura Oficial da Colheita. Ainda no dia 25,
Cimélio Bayer, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), reforçou a diversificação e
intensificação no setor (arroz em rotação com soja, milho e outros produtos no verão, cereais ou cobertura de solo
no inverno, pastagens de inverno e verão, integrados em sistema de produção), com agricultura de baixo carbono,
que “não é custo, mas estratégia de futuro”. Disse que “o Estado tem pesquisa, produtos e capacidade técnica
para se posicionar como referência internacional”.
No último dia, foi realizado ato simbólico da chamada Abertura Oficial da Colheita do Arroz e Grãos em Terras
Baixas, com a presença de autoridades, produtores e representantes de entidades do setor. Além do secretário da
Agricultura do Estado, Edivilson Brum, representando o governador Eduardo Leite, e do presidente do Irga,
Alexandre Velho, manifestou-se o presidente da Federarroz, Denis Nunes, registrando também o momento
desafiador da cultura. “Realizamos uma campanha para reduzir a área plantada, e os dados indicam que esse
objetivo foi alcançado. Além disso, precisamos de crédito mais barato, medidas de incentivo e políticas públicas
que assegurem a competitividade do produtor gaúcho”, afirmou.
COMERCIALIZAÇÃO
O dirigente da federação dos produtores ainda mencionou: “Hoje, o governo federal anunciou recursos
importantes para o setor, mas entendemos que esse apoio pode ser ampliado”. Segundo informações divulgadas
pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) neste dia, após “nova rodada de diálogo com a Federarroz e
da Abiarroz”, deverão ser liberados R$ 73,6 milhões para apoiar a comercialização de arroz da safra 2025/26 em
todo o País, dos quais 61,3 milhões a serem aplicados no Rio Grande do Sul, para o escoamento de cerca de 250
mil toneladas. “A Conab cumpre o seu papel de proteger quem produz alimento e assegurar equilíbrio de
mercado”, disse Edegar Pretto, presidente da Conab.
Os recursos serão operacionalizados por meio do Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural (Pepro) e do
Prêmio para Escoamento de Produto (PEP), instrumentos da Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM),
acionados quando o preço de mercado fica abaixo do valor mínimo estabelecido pela Conab. No Estado, segundo
dados da companhia, o preço médio recebido no período pelo produtor era de R$ 53,27 por saca e o mínimo era
de R$ 63,74. A instituição divulgou também suas previsões para a nova safra no Estado (7,54 milhões de
toneladas em área plantada de 905,2 mil hectares, reduções respectivas de 13,6 e 6,5%). No País, os números e
índices ficariam em 10,91 milhões de toneladas em 1,56 milhão de hectares (menos 14,4 e 11,6% em relação ao
ciclo anterior).
A Editora Gazeta fez-se presente no evento por meio do Anuário Brasileiro do Arroz e dos profissionais: Benno Bernardo Kist – jornalista, Inor Assmann – fotógrafo, Jerusa Assmann – marketing e Petherson Ferreira – circulação.




