Exportações do agronegócio gaúcho estabilizam

Após uma queda acentuada de 34,5% no valor exportado pelo agronegócio gaúcho em setembro, o mês de outubro apresentou estabilidade, registrando -0,11%. O volume comercializado teve resultado negativo de 15,33%. No primeiro semestre, o setor vinha apresentando um crescimento constante nas vendas ao exterior, tendo seu ápice em junho, que antecedeu o movimento contrário. O câmbio foi o principal responsável pela virada. Os dados estão no Relatório de Comércio Exterior do Agronegócio do RS, divulgado pela Assessoria Econômica do Sistema Farsul nessa quinta-feira, dia 10.

O economista-chefe do Sistema Farsul, Antônio da Luz, lembra que os seis primeiros meses do ano foram marcados por uma desvalorização do Real e preços internacionais baixos. Isso permitiu que o produtor brasileiro garantisse bons negócios, especialmente com a soja. A taxa cambial compensava o valor de mercado do grão. “Esse cenário já vinha desde o ano passado, quando alertamos que era a cotação que garantia a boa remuneração do produtor e indicamos que ele travasse o preço”, recorda.

No segundo semestre o quadro é outro. Os preços no mercado internacional vêm, gradativamente, apresentando alta, enquanto o Real se recupera. “A taxa de câmbio em queda neutralizou a alta dos preços, ao contrário do que acontecia na primeira metade do ano quando os preços baixos neutralizavam a alta do câmbio”, comenta da Luz. O economista acredita que a retração nas vendas em setembro e outubro esteja relacionada a dois fatores. “Vendemos muito no início do ano e, provavelmente, o produtor que tem estoque deve estar esperando o melhor momento para comercializar”, pondera.

Esse quadro fica mais claro na comparação entre setembro e outubro. Mesmo não havendo grande variação no total comercializado nos dois meses, quando discriminados os grupos é possível identificar a redução nas vendas da oleaginosa. O complexo soja fechou outubro com -29,3%, (US$ 100 milhões), mas, no resultado final , a queda foi compensada por um expressivo aumento de 79,2% (US$ 107 milhões) nas exportações do fumo e seus derivados.

Em relação a 2015, a diferença é ainda mais acentuada. O Rio Grande do Sul vendeu 45,5% a menos de soja, e também apresentou queda em cereais (62,2%), fumo (-1,3%) e produtos florestais (-7,4%). O destaque positivo ficou com a carne suína, com 18,4%. Na comparação entre outubro do ano passado e deste, a diferença é de -22,2%, aproximadamente US$ 240 milhões. O valor acumulado do ano foi de US$ 9,577 bilhões, registrando -5,61% menos que no anterior. O volume também teve resultado negativo de -5,4%.

O agronegócio exportou 1,027 milhão de toneladas no último mês. Em valores, atingiu US$ 834 milhões, respondendo por 66,6% do total comercializado pelo Estado. O saldo da balança comercial do setor fechou em US$ 745 milhões, influenciado também pelo aumento das importações. Outubro registra 55% de acréscimo na compra de produtos do exterior, na comparação a 2015. A China continua sendo o principal parceiro comercial do agronegócio gaúcho, com a 38,6% (US$ 3,358 bilhões).

Entre os produtos que colaboram para o aumento das importações, os dois principais são arroz e trigo. O primeiro teve um aumento de 143,29% no valor e o segundo 29,43%.  Para da Luz, os motivos dos crescimentos são diferentes, “No caso do arroz é por uma questão climática, as perdas na lavoura em razão das chuvas geraram as compras. Já para o trigo, o preço do mercado internacional está muito baixo e o Governo Federal tem sido lento demais para tomar medidas de apoio ao setor”, afirma.

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