Embrapa levanta áreas preservadas pela agricultura no RS

As áreas preservadas pela agricultura brasileira são o foco das mais recentes pesquisas desenvolvidas pelo Grupo de Inteligência Territorial Estratégica (Gite) da Embrapa, com base nos dados do Cadastro Ambiental Rural (CAR). Em março, o Gite concluiu os números referentes ao estado do Rio Grande do Sul. Os primeiros levantamentos mostram que 13% da área total do Estado está preservada pela agricultura e que 1% da unidade federativa corresponde a áreas protegidas por terras indígenas e unidades de conservação. Esta etapa foi apresentada pelo pesquisador e coordenador do estudo, Evaristo de Miranda, na Expodireto Cotrijal 2017, realizada entre os dias 6 e 9 de março, em Não-Me-Toque (RS).

Os dados analisados são provenientes das declarações e mapas cadastrados pelos agricultores no Sistema de Cadastro Ambiental Rural (SiCAR) – sob coordenação do Ministério do Meio Ambiente (MMA). Em janeiro, a base de dados do SiCAR foi integrada ao Sistema de Inteligência Territorial Estratégica (SITE) da Embrapa, possibilitando o cruzamento com outras bases de dados. De posse deles, o Gite começou um trabalho de análises comparativas, nos estados, entre as áreas protegidas e as preservadas. Além do Rio Grande do Sul, estão sendo analisados os dados do Mato Grosso, São Paulo, Rondônia e Maranhão.

Neste primeiro momento, foram utilizados quatro planos de informação em um imóvel rural: áreas de preservação permanente, de reserva legal, de vegetação excedente e de hidrografia. No Rio Grande do Sul, Evaristo de Miranda explica que o estudo utilizou as declarações de 455.295 imóveis rurais, totalizando uma área em torno de 16 milhões de hectares. Segundo o pesquisador, o uso da pampa, bioma característico do Estado, trouxe uma particularidade às análises do CAR no Rio Grande do Sul.

Isso porque, ao realizar o cadastro de seus imóveis, os agricultores podem ter declarado a área de pampa como pastagem, ao invés de vegetação preservada. “Dessa forma, a porcentagem das áreas preservadas pela agricultura no Estado poderão ser maiores”, observa. Miranda adianta que futuros estudos do Gite reclassificarão as áreas da pampa – dentro desses imóveis rurais – como vegetação preservada a fim de se ter uma visão mais completa do papel da agricultura na preservação da vegetação nativa.

Preservação pela agricultura
Em fevereiro, foram comparadas as áreas preservadas e protegidas no Mato Grosso. Em um encontro realizado na sede da Aprosoja, em Brasília, DF, o chefe-geral, Evaristo de Miranda, entregou mapas e tabelas contendo as análises em níveis do Estado, de microrregiões e de municípios. De acordo com o estudo, a área preservada pela agricultura totaliza 32,5 milhões de hectares do Estado, o que corresponde a 36% de sua área. A área protegida, por sua vez, corresponde a 19% do território do Mato Grosso. Ou seja, no Mato Grosso a agricultura preserva quase o dobro do que está protegido por unidades de conservação e terras indígenas.

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